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Sobre o colóquio

Este evento tem como objetivo estabelecer um espaço de apresentação e discussão de pesquisas sobre autores, obras e temas vinculados à filosofia alemã no século XVIII, tendo em vista uma compreensão ampla das relações de continuidade e descontinuidade produzidas no período. Para tanto, de nenhuma forma assumimos que há algo como apenas uma “filosofia alemã do século XVIII”. Partimos simplesmente da concepção de que sob os auspícios da filosofia de Leibniz (e também contra ela), começou-se a delinear, entre diversos pensadores, certos vocabulários comuns ou, ao menos, uma convergência de temas. A diversidade de correntes filosóficas mais atesta a importância de Leibniz como o primeiro da longa lista de pensadores do século XVIII do que o contrário. Célebre adversário de Clarke e Newton ainda em vida, publicara seus Ensaios de Teodiceia em 1710, tornando-se alvo preferencial de Voltaire e, em conjunto de Wolff, dos pietistas. Nesse mesmo sentido, é com a descoberta e publicação dos Novos Ensaios em 1765 que, de certo modo, renova-se o legado de Leibniz no século XVIII, tal que poderíamos tomar este como o terminus ad quem do período a ser abarcado no presente colóquio. Com efeito, limitamos temporalmente as propostas de apresentações entre a produção de Leibniz e os escritos pré-críticos de Kant, após os quais, pretensamente, a filosofia alemã se abriria para uma nova fase. Leibniz não era, já desde o início do século, o “mestre” a ser superado, mas a ocasião para produzir e apropriar-se do espólio de sua filosofia.

Como é costume nessa quadra da história, a repetição e a variação de circunstâncias estão alinhadas aos problemas filosóficos e políticos da época, o que também leva ao enraizamento da filosofia nos fragmentados territórios alemães, especialmente através das Universidades e instituições como as Academias. O crescente uso do idioma alemão no lugar do latim, a influência política cada vez mais preponderante da Prússia, os riscos sempre presentes da censura e a esperança de um mundo melhor e mais livre, envoltos na expectativa de um Geistes der Gründlichkeit na ciência e na filosofia tornam-se efeitos e causas de muitas circunstâncias teóricas e práticas para o pensamento nos territórios alemães. Neles, uma série de nomes que escapam de nossas grandes histórias da filosofia marcaram o século XVIII. Para além de Leibniz e Wolff, constam C. Thomasius, J. Lange, I. G. Daries, G. B. Bilfinger, J. C. Gottsched, H. S. Reimarus, M. Knutzen, C. A. Crusius, L. Euler, A. von Haller, F. C. Baumeister, A. Baumgarten, J. G. Sulzer, G. F. Meier, J. H. Lambert e o próprio I. Kant, além de muitos outros autores que tornariam a lista excessivamente longa. Evidentemente, neste período também encontramos autores que, não sendo alemães, debateram diretamente e também lidaram com o espólio alemão da filosofia, incluindo figuras como P. Maupertuis, E. Stone, M. Châtelet, J. O. La Mettrie, Condillac, Voltaire, Diderot e D’Alembert. A presente proposta visa incluir todos os mencionados e outros que porventura não tenham sido aqui explicitamente indicados, esperando acolher propostas para apresentação de trabalhos.

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